O estilo único do vinho brasileiro

A diversidade climática e a criatividade do brasileiro, que tem uma capacidade singular de reinventar tudo, levou o País a ter uma vitivinicultura única no mundo. A tradição européia trazida ao Brasil por milhares de imigrantes italianos no século 19, aliada ao investimento em novas técnicas e inovação, resultou em algo inusitado. Parece óbvio, mas nenhum outro País no mundo possui tanta diversidade em um só território. É por isso que os vinhos brasileiros têm a cara do Brasil.

No Rio Grande do Sul (Serra Gaúcha, Campanha, Serra do Sudeste e Campos de Cima da Serra) e Sudeste (São Paulo e Minas Gerais), a produção é semelhante às clássicas regiões vitivinícolas européias, com uma colheita por ano (no verão) e um período de repouso dos vinhedos (no inverno). No Nordeste, na semi-árida região do Vale do São Francisco, nos estados da Bahia e Pernambuco, surgiu uma novidade, as colheitas em meses sucessivos (até duas e meia) durante o ano. Em Santa Catarina, ainda há os vinhos de altitude, desenvolvida em ambiente com temperaturas extremamente baixas, e a possibilidade de colher uvas no gelo. Imagine só, tudo isso no Brasil.

Esta diversidade brasileira só existe aqui, pois quem possui viticultura em clima tropical não têm temperado e frio. Em um só País, vários sabores, aromas e diferentes peculiaridades podem ser encontradas, dependendo da região onde a uva é produzida e o vinho é elaborado. As diferentes características de clima, solo, tipos de uvas, sistemas de produção, vinificação e envelhecimento possibilitam a produção de vinhos com identidades variadas – com a marca da diversidade brasileira, mas com um estilo único – em geral, são vinhos jovens, frescos, frutados e com presença moderada de álcool.

Mesmo em um país continental, com 4 mil quilômetros de distância entre duas das principais regiões produtoras (Rio Grande do Sul e Vale do São Francisco), o Brasil consegue elaborar vinhos com características diferenciadas, mas com um estilo único, que combina com a imagem e o modo de vida dos brasileiros, ou seja, aqui há pessoas e vinhos alegres e autênticos. Esta idiossincrasia do Brasil confere um enorme potencial para obtenção de produtos aptos a agradarem os diferentes paladares dos consumidores.

Hoje, a produção de vinho está espalhada por mais de 10 estados e regiões do Brasil. A produção comercial, no entanto, é concentrada em alguns pólos específicos, situados nas regiões Sul e Nordeste, onde o vinho ganha importância social e econômica. O Brasil é, atualmente, o 16º produtor mundial de vinho e o 5º maior consumidor do planeta. 

A década de 80 representou uma virada na produção de vinho no Brasil. É a partir deste período que começou a ocorrer uma reconversão parcial de vinhedos (troca do sistema latada por espaldeira e variedades americanas por viníferas), base para a elaboração de vinhos finos de alta qualidade. É nesta época que começa uma efetiva modernização profissionalizante dos sistemas de produção e das técnicas enológicas nas vinícolas.

No início do século 21, a atividade passa a ter um foco comercial. Outras regiões passam a ter importância na produção de vinhos no Brasil, como o Vale do São Francisco, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e novas fronteiras no principal pólo da vitivinicultura nacional, o Rio Grande do Sul.

A vigorosa expansão na área cultivada e na tecnologia de produção de uvas e de elaboração de vinhos é resultado de um esforço conjunto de produtores, empresários, técnicos, pesquisadores, entre outros. São estes os responsáveis pela inserção crescente de conceitos como zoneamento vitivinícola, indicações geográficas e marcas coletivas como sinais de qualidade, segurança dos alimentos, alimentos funcionais, sustentabilidade ambiental econômica e social, que colocam a atividade em sintonia com as tendências da vitivinicultura mundial, na qual a competitividade é cada vez mais essencial.

O crescimento da qualidade é notório nas duas últimas décadas da produção brasileira de vinhos, com destaque para a elaboração de espumantes reconhecida internacionalmente na Serra Gaúcha. A adaptabilidade, a persistência e o empreendedorismo são características presentes em toda a história da viticultura brasileira. E dão a certeza de que estamos apenas no começo de uma construção que nos dará muitos e bons frutos.

© Copyright Ibravin 2009
Todos Direitos Reservados