A vitivinicultura brasileira nasceu e cresceu com o cultivo de uvas americanas, as chamadas uvas comuns, variedades das espécies Vitis labrusca e Vitis bourquina, utilizadas para a produção de vinhos de mesa. A elaboração de vinhos finos, aberta no final do século 20, introduziu o cultivo de uvas finas da variedades Vitis vinifera.
Típico representante dos países do Novo Mundo do vinho, o Brasil cultiva uvas Vitis vinifera trazidas dos tradicionais países produtores da região mediterrânea da Europa. Cada cepa de uva possui a sua própria personalidade. Assim como as pessoas.
Eis o cardápio disponível no Brasil:
TINTAS
- Cabernet Sauvignon
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A rainha das uvas tintas, originada da região de Bordeaux, sudoeste da França. Chegou no Brasil em 1913, com o cultivo experimental no Instituto Agronômico e Veterinário de Porto Alegre. As primeiras tentativas de sua difusão comercial no Rio Grande do Sul ocorreram nas décadas de 1930 e 1940. Mas foi a partir do final da década de 1980, com o incremento da produção de vinhos varietais, que ganhou expressão no Estado.
Vários clones procedentes da França, da Califórnia, da Itália e da África do Sul foram trazidos para a formação dos novos parreirais. Atualmente é a vinífera tinta mais cultivada do Estado, com cultivo ampliado no Vale do São Francisco e em novos pólos, como o de São Joaquim, em Santa Catarina, que apostam nesta variedade.
É uma planta muito vigorosa e medianamente produtiva. Em vinhedos bem conduzidos obtêm-se uvas aptas à elaboração de vinhos tintos típicos, que podem evoluir em qualidade com alguns anos de envelhecimento.
O vinho de Cabernet Sauvignon é mundialmente reputado pelo seu caráter varietal, com intensa coloração, riqueza em taninos e complexidade de aroma e buquê.
- Merlot
- É uma variedade cosmopolita, vinda do Médoc, na região de Bordeaux, na França. Os registros da Estação Experimental de Caxias do Sul informam que na década de 1920 a ‘Merlot’ já era cultivada no município por viticultores pioneiros no plantio de castas finas.
Foi uma das cultivares básicas para a Companhia Vinícola Riograndense firmar o conceito dos seus vinhos finos varietais em meados do século passado. Tornou-se, a partir da década de 1970, uma das principais viníferas tintas do Rio Grande do Sul. É a segunda cepa mais cultuvada no RS. É uma cultivar muito bem adaptada às condições do sul do Brasil, sendo cultivada também em Santa Catarina. Proporciona colheitas abundantes de uvas que podem atingir 20°Brix.
Produz vinho de alta qualidade, consagrado como varietal e também muito usado em cortes com vinhos de ‘Cabernet Sauvignon’, ‘Cabernet Franc’ e de outras castas de renome.
- Cabernet Franc
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É uma variedade francesa da região de Bordeaux. Foi introduzida no Rio Grande do Sul pela Estação Agronômica de Porto Alegre, por volta de 1900. Na década de 1920 já era cultivada comercialmente pelos irmãos maristas em Garibaldi.
Sua grande difusão no Estado, contudo, ocorreu nas décadas de 1970 e 1980, tornando-se a base dos vinhos finos tintos brasileiros nesse período.
A partir daí, foi superada pelas cultivares ‘Cabernet Sauvignon’ e ‘Merlot’ nos novos plantios de uvas tintas finas. A ‘Cabernet Franc’ adapta-se muito bem às condições da Serra Gaúcha, é medianamente vigorosa e bastante produtiva, proporcionando colheita de uvas de boa qualidade, atingindo facilmente 18ºBrix a 20ºBrix, em vinhedos bem conduzidos.
Origina vinho com tipicidade, apropriado para ser consumido ainda jovem.
Em anos menos chuvosos, durante o período de maturação, o vinho é mais encorpado e tem coloração mais intensa, apresentando considerável evolução qualitativa com alguns anos de envelhecimento.
- Pinotage
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Resultante do cruzamento entre ‘Pinot Noir’ e ‘Cinsaut’, realizado na África do Sul pelo Prof. Peroldt, em 1922. Foi trazida ao Brasil em 1979, pela Maison Forestier, sendo cultivada experimentalmente nos vinhedos da empresa, em Garibaldi.
A partir de 1990 começou a ser plantada comercialmente na Serra Gaúcha. É produtiva, atingindo, normalmente, 20ºBrix a 22ºBrix. Origina vinho frutado, apto a ser consumido jovem, e também vem sendo usada para a elaboração de vinhos espumantes.
- Pinot Noir
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É a mais delicada das uvas, tendo seu berço na Borgonha, na França, onde é utilizada para a elaboração de vinhos tintos de alto conceito. Também ocupa lugar de destaque na região da Champagne, originando, juntamente com a ‘Chardonnay’, os famosos vinhos espumantes da região.
É uma variedade precoce, de ciclo curto. Foi introduzida no Brasil há mais de setenta anos, permanecendo nas coleções ampelográficas das estações experimentais. A difusão comercial da ‘Pinot Noir’, no Rio Grande do Sul, foi iniciada no final da década de 1970, sendo, aqui, utilizada para a elaboração de vinho tinto varietal e para vinhos espumantes. Entretanto, é uma cultivar de difícil adaptação às condições do Estado.
- Syrah
- É uma das mais antigas castas cultivadas. Algumas referências sugerem que seria originária de Schiraz, na Pérsia, outras, que seria nativa da Vila de Siracusa, na Sicília.
Chegou ao Rio Grande do Sul em 1921, procedente dos vinhedos Vila Cordélia, de São Paulo. Até 1970, não logrou espaço nos vinhedos comerciais do Estado. Desde então, acompanhando a história de outras viníferas finas francesas, começou a ser plantada comercialmente em Santana do Livramento e na Serra Gaúcha, a partir de mudas importadas por vinícolas destas regiões.
É uma casta muito vigorosa e produtiva, de difícil cultivo nas condições ambientais da Serra Gaúcha. Todavia, nas condições semi-áridas do Nordeste tem mostrado ótima performance na região do Vale do São Francisco. O vinho de ‘Syrah’ é característico pelo seu aroma e buquê.
- Tannat
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A ‘Tannat’ é originária da região de Madiran, no sul França, onde está sua maior área de cultivo. Também é importante no Uruguai, onde é a principal vinífera tinta cultivada.
Foi introduzida no Rio Grande do Sul pela Estação Experimental de Caxias do Sul, em 1947, procedente da Argentina. Novas introduções foram feitas, por essa mesma instituição, em 1971 e 1977, com materiais vindos da Califórnia e da França, respectivamente. Destacou-se nos experimentos, passando a ser avaliada em unidades de observação instaladas em propriedades de viticultores no início da década de 1980. No mesmo período, foi plantada em Santana do Livramento pela empresa National Distillers e a partir de 1987 começou a ser difundida comercialmente na Serra Gaúcha. É uma variedade de médio vigor, bastante produtiva.
O vinho de ‘Tannat’ é rico em cor e em extrato, servindo para corrigir as deficiências, destas características, em outros vinhos de vinífera. Também tem sido comercializado, com sucesso, como vinho varietal. É um vinho bastante adstringente e, portanto, necessita de envelhecimento.
BRANCAS
- Chardonnay
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Está para as brancas, assim como a Cabernet Sauvignon está para as tintas. Cultivar de origem francesa, possivelmente da Borgonha, a "Chardonnay" foi introduzida em São Roque (SP) em 1930 e no Rio Grande do Sul em 1948.
Não houve difusão comercial desses materiais, que permaneceram nas dependências das Estações Experimentais de São Roque e de Bento Gonçalves. A partir do final da década de 1970, por interesse do setor vitivinícola, esta casta foi trazida de procedências diversas e difundida na Serra Gaúcha, tanto pelos órgãos de pesquisas como pela iniciativa privada. É uma cultivar de brotação precoce, sujeita a prejuízos causados por geadas tardias. Entre as brancas, é a mais cultivada no Brasil. Adapta-se bem as condições da Serra Gaúcha, com vigor e produtividade médios, atingindo boa graduação de açúcar em anos favoráveis. É uma cultivar cujo vinho goza de renome internacional, especialmente pela qualidade dos produtos que origina na Borgonha, assim como, pelos famosos espumantes elaborados na região de Champagne, em corte com "Pinot Noir".
No Brasil tem sido usada para a elaboração de vinho fino varietal e também para vinhos espumantes.
- Malvasia Bianca
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A "Marvasia Bianca" foi introduzida no Rio Grande do Sul pela Estação Experimental de Caxias do Sul em 1970, procedente da Universidade da Califórnia.
Avaliada pela pesquisa, demonstrou bom desempenho produtivo na Serra Gaúcha, surgindo como uma alternativa de uva aromática para a região. Começou a ser plantada comercialmente em meados da década de 1980, a partir de unidades de observação instaladas no campo de testes da Cooperativa Vinícola Aurora Ltda. e em propriedades de viticultores.
Produz vinho acentuadamente moscatel que pode ser comercializado como varietal, ser usado como fonte de aroma em cortes com outros vinhos ou servir como base para espumantes.
- Moscato Branco
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Em 1931, esta cultivar já fazia parte do campo de matrizes da Estação Experimental de Caxias do Sul para a distribuição de material propagativo aos viticultores.
É uma cultivar muito bem adaptada as condições do sul do Brasil, sendo cultivada também em Santa Catarina. Apresenta alta fertilidade. Em vinhedos bem conduzidos e em anos favoráveis, proporciona colheitas abundantes de uvas de ótima qualidade. Resulta em vinho acentuadamente moscatel, usado principalmente em cortes, como fonte de aroma para outros vinhos; também é empregada para a elaboração de espumantes, principalmente de espumantes do tipo moscatel e asti.
- Moscato Canelli
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Variedade de uva procedente da Itália, introduzida no Vale do São Francisco no início da década de 1980, quando lá se iniciou o cultivo de uvas para vinho.
Apresentou ótima adaptação às condições do semi-árido nordestino, sendo a principal uva branca cultivada atualmente naquela região. Além de empregada na elaboração de vinhos de mesa varietais, também tem sido usada, com sucesso, na elaboração de vinhos espumantes
do tipo moscatel.
- Prosecco
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Estudos ampelográficos realizados a partir de 1979, mostram que a cultivar encontrada nos vinhedos de Bento Gonçalves, com o nome de "Biancheta Bonoriva" é na realidade a "Prosecco".
Não há registros sobre sua difusão, mas segundo informações dos viticultores, ela é plantada a muitos anos neste município. Mais recentemente, no final da década de 1970, Ítalo Zanella, empresário e viticultor de Farroupilha, importou mudas de "Prosecco" da Itália para plantio em sua propriedade. Este material serviu de base para novos plantios na região a partir de 1980. É uma cultivar do norte da Itália, onde é utilizada para a elaboração de conceituado vinho espumante.
Apresenta bom desempenho agronômico na Serra Gaúcha, porém, em virtude da precocidade de brotação, pode sofrer danos causados por geadas tardias em áreas susceptíveis. A exemplo do que ocorre na Itália, também aqui origina espumantes de boa qualidade.
- Riesling Itálico
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É uma cultivar do norte da Itália. Foi trazida para o Rio Grande do Sul pela Estação Agronômica de Porto Alegre em 1900.
A Companhia Vinícola Riograndense foi pioneira na elaboração de vinho varietal desta cultivar no estado e estimulou sua difusão na Serra Gaúcha. A partir de 1973, houve grande incremento na área cultivada, tornando-se uma das principais uvas finas brancas da região. É uma cultivar de médio vigor, fértil e produtiva, muito bem adaptada ao ambiente da Serra Gaúcha.
Em anos favoráveis proporciona colheitas abundantes de uvas que chegam a 20°Brix na plena maturação. O vinho de "Riesling Itálico" é fino, com aroma sutil e típico, comercializado como vinho fino de mesa varietal e também utilizado na elaboração de espumantes bem conceituados.
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