O cultivo de uvas no Brasil começou junto com o nascimento do País. Descoberto em 1500, o “Monte Pascoal” demorou 11 anos até ser batizado de Brasil, nome inspirado na árvore chamada “pau-brasil”. Mas foi somente em 1530, com a vinda de uma expedição colonizadora comandada por Martin Afonso de Souza que o Brasil realmente passou a existir para a coroa portuguesa e para o mundo. Foi nesta data que, de fato, começou a ser contada a história do Brasil, junto com a primeira página da produção de uvas e vinhos verde-amarelos. As idas e vindas desta saga lembram o roteiro de um drama. Um novo impulso ocorreu com a chegada dos Padres Jesuítas, em 1626, à região das Missões, e dos imigrantes alemães, que trouxeram castas européias e obtiveram bons resultados no Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul. As tentativas de implantar uma produção de uva e vinho seguiram até Portugal proibir, em 1789, o plantio de videiras no Brasil. Com claro objetivo de proteger a sua produção de uvas, os portugueses acabaram inibindo completamente o cultivo e comercialização de vinho no País. A vitivinicultura brasileira permaneceu longos anos como uma atividade privada e doméstica. Aliás, as videiras de origem americana, principalmente as cultivares de Vitis labrusca, estão no centro da vitivinicultura brasileira. O maior sucesso foi atingido pela “Isabel”, como uva para a elaboração de vinho, e “Niágara Branca” e “Niágara Rosada”, como uvas de mesa. Marco histórico Além das vinhas, os italianos trouxeram a sua cultura de produção e consumo de vinhos. As raízes deste modo de viver, em torno da uva e do vinho, se disseminaram rapidamente pela serra gaúcha. Contudo, mais uma vez, o desenvolvimento da vitivinicultura brasileira foi interrompido pelo ataque de doenças, que dizimaram grande parte das videiras plantadas. A alternativa foi procurar uma variedade mais resistente. E a cepa Isabel, amplamente cultivada pelos imigrantes alemães no Vale do Rio dos Sinos, foi a saída encontrada para a retomada e o desenvolvimento do plantio de uvas no Estado e, posteriormente, em outras regiões do País. A uva Isabel é a base da viticultura brasileira desde o final do século 19 até hoje. O surgimento de remédios (fungicidas sintéticos) para controlar o ataque de fungos, na metade do século 20, permitiu a retomada do cultivo de videiras européias, sobretudo no Rio Grande do Sul, paralelamente à difusão da uva “Itália”, em São Paulo. No início do século 20, a atividade passa a ter um foco comercial. Outras regiões passam a ter importância na produção de vinhos do Brasil, como o Vale do São Francisco, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e novas fronteiras no principal pólo da vitivinicultura nacional, o Rio Grande do Sul. O crescimento da qualidade é notório nos últimos 15 anos da produção brasileira de vinhos, com destaque reconhecido internacionalmente para a elaboração de espumantes no Vale dos Vinhedos.
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